sexta-feira, 1 de novembro de 2013

" A menina e os pássaros"





Os pensamentos da menina, voam como pássaros e assim insistentemente circulam a sua volta, nem ameaçam parar, são a roda gigante incessante, o carrossel impossível e desgovernado, um desfile bendito/maldito de sonhos.


A menina não mais os tolera, não mais os doma, malditos/benditos, com as mãos desesperadas tenta afugentá-los, mal ameaçam partir e já estão presentes atormentando-a. Muitas vezes parecem dóceis, n’outros momentos são insanos, imundos, ásperos, voam em desespero e se dispersam num caleidoscópio visceral.


Manada, matilha, cardume, revoada de pequenos demônios/anjos famintos de uma mente, se dispersam e entram dentro de sua saia, e lá desaparecem dentro de seus desejos, na fome/sede de seus dias, suas ideias vãs, memórias de menina viva, pensamentos de menina/morta, viva do querer voar, morta de vontade de pecar, sonhos molhados.


Sua trança é a corda para que meninos imbecis se enforquem, madeixas de gueixa que para sem queixa se afoguem na floresta sedosa arredia. Sua pele tão alva é a neve que congela coraçõezinhos infandos, lábios rosados de cima abaixo são a sombra do mal, a delícia do mel.


Por hora põe os pensamentos úmidos na gaiola e os tranca, castigados, presos... 

loucos para fugirem e se debaterem...  por aí, 

pulsando... 

                   bicando... 

                                   alados... 

                                                ardendo...

Um comentário:

  1. insanidade, malícia, maldade e delícia que existe dentro de todos nós, mas poucos sabem sobre estes escrever e têm coragem para isso.. beijo césar, é sempre um suspiro, mais que um texto.

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