segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

"A Noiva"





Estou à espera...

Espera tua

Com o andar da lua

Com o passar das nuvens

O cair da neve em flocos

O derramar de teu leite pro seu deleite

O nada

O conjunto vazio

A pureza imaculada do que nunca existiu

As pedras de gelo que derretem

As brancas páginas sem dizeres

O teu despir

O branco dos olhos ao despertar

É a noiva sem par

O buquê sem ter para onde migrar

Grãos de arroz parados no ar

A espera é branca

Alva nudez

A noiva seminua se despindo no altar

A pureza inútil de que nada vale



Talvez sentar na escada 

E esperar sob a chuva...

Que um dia 

Cedo ou tarde

Irá cessar.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

"A Volta da Mulher Gigante"



Voltou certo dia... e o certo vasto mundo estava diferente do que salvava sua memória vã...

Será que o mundo havia encolhido? Ou será que era ela quem havia crescido? Uma febre insana de Alice que crescia e crescia e ... era tudo grande outrora. Agora não, tudo era tão ínfimo, pequeno mundinho ridículo e exaustivamente insatisfatório.

Nada mas a satisfazia, as casas, os empregos, os diversos tipos de lazer, nada mais lhe preenchia, tudo era imenso dentro de si, um amplo salão de baile sem viva alma, sem música, sem orquestra...

Os homens eram tão pequenos dedos mindinhos de suas mãos dentro de si, nem ao menos faziam cócegas, eram tão patéticos, tão pobres diabos, repugnantes bonequinhos de plástico frio de playmobil.

Ficava quietinha num canto, para que ninguém a visse, nada abalasse com seus movimentos gigantescos de um circo de horror grotesco.

Agora o mundo que não a respeitou, e que não a quis, agora lhe temia, agora ela podia pisar e destruir, mas que graça teria o mundo sem a distração das pequeninas criaturas mínimas?!

Sentava agora e esperava que seu homem chegasse, seu herói e lhe salvasse, e que ele fosse grande, muito grande pra lhe satisfazer as vontades, os vazios a serem preenchidos, os desejos... um homem forte, dominador, senão preferia ficar ali, na distração das pequenas coisas...migalhas...

Um dia em seu caminho encontrou um sábio eremita e ela não resistiu em perguntar por que seu mundo ficou assim minúsculo, ou ela tão maiúscula!? Que castigo seria este?!

E o tal homenzinho fétido de barba grisalha e longa respondeu que o destino lhe dava aquilo porque era de acordo com a sua força, sua capacidade, seu tamanho interior, senão daria a qualquer uma...

Então ela seguiu em frente a procurar um mundo do seu tamanho. Seus novos passos traçados agora faziam o mundo tremer ao seu redor. Agora via o mundo diferente, não cabia mais em si de tanta esperança, e por que não dizer - felicidade?