terça-feira, 14 de outubro de 2014

Confissões ruborizantes do claustro vermelho - "Pietra"







Pietra chegou a mansão rubra com o desejo mais puro de todos os que já haviam se hospedado ali. Entre tantos sonhos obscuros, o “dela” era límpido, quase um sonho de criança, devido este detalhe, pagou muito mais caro que as demais mulheres e ainda assim não lhe garantiram o produto almejado. 

Pietra havia começado sua vida como todos os seres humanos, com todas as chances de uma vida correta e todas as incorretas. Mas o qual seria o melhor caminho? Caso fosse se basear na tão recomendada bíblia, o que não faltava eram exemplos sórdidos, por que ela não teria direito de prová-los?

De uma infância inocente e uma adolescência comportada, Pietra se tornou a filha exemplar, mas depois de tanta carência provocada por pais tão corretos, após o desprezo dos colegas de escola por ela parecer tão diferente e tão perfeita, Pietra só esperava pelo dia de sua maioridade.

Certo dia quebrou o silêncio e foi morar só, os pais não puderam impedir, Pietra conheceu então a bebida, o cigarro, as drogas, que não lhe fizeram a cabeça, o sexo... este sim lhe fez a cabeça, o corpo, a pele... regado a bebidas e cigarros...

Pietra se descobriu quase ninfomaníaca, quase alcoólatra, quase... tudo, mas sabia que tinha o controle, podia ficar um dia sem, dois, três... mas não era fácil.
Adorava homens sórdidos em lugares sórdidos e palavras chulas, tudo o que quebrava o cristal da pureza e o encanto da perfeição do passado.


Enjoada disso tudo, fatigada, agora Pietra queria um amor verdadeiro, puro, infantil, pueril, coisas de primeiro amor, de pecado original. Não pensava em restaurar a sua virgindade, queria se isolar de tudo, abster-se, cicatrizar a alma, sentir-se limpa novamente. 

Agora estava ali aguardando o dia em que poderia cometer um pecado realmente “original”.


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