sexta-feira, 7 de maio de 2010

"2 meninos"

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Narciso 
não resistiu
quando pôs - os olhos no rapaz 
nem hesitou - atirou-se ao alvo - sem mais
manhã tão clara - pintura tão rara
mergulho de menino - largos espelhos d’água
nuvens brancas imaculadas - se rasgando, não mais virgens
partindo assim - assim azul
surge o sol luz ferida – privilégio de poder admirar
tal mergulho - tal garoto
pele pálida e nua - maciez mútua – pensamentos ingênuos
se perde na paixão d’água - de encontro ao outro
corpo porto - insegura ternura
linhas e curvas em morros, bicos, pontas..
caminho de gozo pleno - sede e fome de veneno
cada vez mais se aprofunda em seu desejo
mais e mais fundo e obscuro - lago de um beijo
então vejo - flecha carne - almejo
disparam membros - nados e cabelos
pêlos, poros, paladar - odor e medo encontrar
o ar se acaba - Narciso - não encontra nada
nada, nada, nada...
imagem tão cobiçada - somente habita agora a retina
ali fica para sempre - desejo infindo
quadro antigo de memória
tintas molhadas de verde limbo
sedução ininterrupta - morte auto-vingativa
o azul que se cobre - o sol ferida fecha
brancas nuvens - não mais imaculadas - chove desejo
molhando tudo todos - terras, lagos, morros...
bicos, picos, pontas...
agora Narciso mora - sozinho lá no fundo
solidão água doce
doce adormecer símbolo - egocentrismo submerso
morte rara de tesão
vide e verso
1 menino


domingo, 2 de maio de 2010

"Para Dina Sfat"



Vivendo,
Fugindo,
Mentindo,
Enganando,
Amando.
Vivendo,
Fingindo viver,
Aprendendo a sobreviver.
Enganando a si mesmo, sem temer.
Mas o que importa é olhar pra frente,
Nunca parar.
Olhar pra trás,
Nem pensar...
E sempre caminhar, caminhar...
Sem pensar em cansar.
Saltando as pedras,
Afastando-se dos espinhos,
Abrindo as portas,
Sem saltar das janelas.
Representando sempre,
De frente para a platéia,
Sorriso não falta,
Lágrimas contidas,
Luzes da ribalta.
Não se pode decepcionar o público,
Então, mantenha-se representando,
Num brilho que é único
E que com o tempo pode ir se apagando.
Já que a vida imita a arte
E a arte imita a vida,
Não precisa talento,
É só tirar do âmago uma lembrança
Lá do fundo esquecida.
A cortina vai se abrir,
Entre no palco da vida sem pensar,
Sem medo de se ferir.
Represente seu papel sem decorar.
A vida é como um filme,
Você nunca sabe quando vai acabar,
Roda rapidamente,
Mas pode acabar de repente...
Por isso, represente sim!
A não ser no seu camarim,
Quando se olhar no espelho
E no fundo de seus olhos se abrir uma porta,
Onde você vai ver
Que lá dentro ainda existe um ser
E que por baixo da maquiagem
Existe um rosto e não uma imagem.
Que debaixo do traje,
Um coração ainda bate.
Mas quando as luzes se apagam,
A cortina se fecha,
Não há mais nenhuma brecha.
Quando a fita se acaba,
Não resta mais nada.
Palmas pra que te quero?


sábado, 24 de abril de 2010

"O Limite da Paixão"

 
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O que é um limite?  
O começo de um fim?  
Ou fim de um começo? 
O limite é algo que não persiste, 
Ou alguma coisa que não existe? 
É como um sol que se põe, 
Uma lua que se esconde, 
Uma tempestade que acaba e destrói. 
É como uma luz no fim de um túnel? 
Uma navalha que corta um pulso, 
Ou um colar que se arrebenta? 
O limite da paixão... 
É controlar as batidas do coração? 
Cortar as cordas de um violão 
E interromper uma canção. 
É atar uma boca? 
É vendar os olhos, 
É proibir as lágrimas, 
É quebrar uma ponte, 
Fazer um aborto, 
É secar a fonte. 
É abafar um grito com um travesseiro? 
Quebrar a vela de um veleiro, 
Assoprar a chama, 
É afastar a lama 
Que invade o jardim, 
É arrancar o jasmim. 
O limite é... 
Deitar-se sobre a linha de um trem? 
É calar os sinos, 
É virar a página, 
É a pedra que te faz tropeçar. 
Como jogar a água do aquário? 
Como trancar a criança, 
Prender o pássaro na gaiola, 
Como se fechar dentro do armário.
O limite da paixão... 
É impedir uma traição? 
É evitar uma decepção? 
Ou alimentar uma ilusão? 
São correntes que me prendem, 
Olhos que não me penetram, 
Ouvidos que não me entendem, 
Beijos que me escapam. 
Mas como a paixão... 
Tudo tem um limite e se acaba, 
Como o sabor de um licor 
E o mal de um veneno, 
Esse é o limite.


terça-feira, 13 de abril de 2010

"Manequins"

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Olá!
Nós somos as manequins.
Poderíamos ser mesas
Poderíamos ser cadeiras
Poderíamos ser violões e violinos
Mas não, somos manequins
Sempre assim em sorriso de marfim
Posicionadas para a rua
Sempre imóveis
Irredutíveis e inabaláveis
Felizes?
Nossa nudez sempre exposta para que todos vejam
Nudez de trincas e de fendas
Nudez fragmentada
Sexo revelado e oculto
Peitos e bundas tão duras
Tão invejadas
Pornografia aceitável e acessível
Vênus de Milo contemporânea
Logo vem um novo cenário
Um novo figurino
E estaremos prontas novamente
Aí sim
Nos despiremos
Para que você se vista
Nuas nas ruas
Espelhadas na vitrine
Que espelha seus desejos
Seus sonhos
Suas ilusões
Sua nudez vestida
Nos despimos para você
Na vitrine
A retina que reflete a metrópole
Que se inspira em retinas duras de madeira
Eu te vejo sumir por aí...



segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Um Cadilac, um Pacote, um Ex e uma Atriz"


Era um cadilac amarelo. Pelo menos foi assim que me contou "ela"., uma amiga atriz. O cadilac parou e ela entrou, no cadilac amarelo. Quem guiava era nada mais, nada menos que seu “ex”, (a pergunta que não quer calar – qual deles?) que em dado momento era algo atual, nada passado, tudo presente. Eles conversavam e o cadilac os levava, o cadilac amarelo, para algum lugar. Para a grande surpresa dela, eles não estavam a sós no cadilac. O cadilac amarelo trazia alguém no banco de traz. Era um peso morto! Não defino assim por força de expressão, era realmente um morto. Isso causou a inconformação "dela". Onde já se viu transportar um morto! Isso é um serviço para um carro funerário. Não para um cadilac amarelo. Mas com a maior naturalidade, seu ex - em forma de atual - explicou que era apenas um transporte para que o morto pudesse ser enterrado em sua terra natal, a família aguardava ansiosa. Sendo assim seguiram com o processo de despacho funerário no cadilac, no cadilac amarelo. O despacho propriamente dito era feito numa ampla, muito ampla, digo ampla mesmo, agência dos Correios e Telégrafos. Com o maior cuidado para que o defunto não se lascasse ou trincasse, mercadoria frágil. "Ela" sempre tão generosa saiu pra comprar metros e metros de plástico bolha e embalou o presunto para viagem sem freezer. Ficou estupefata com o preço exorbitante do sedex que enviaria aquele que veio do pó e ao pó voltaria. Irada sussurrou: - Enterre em qualquer lugar! Já morreu mesmo! Pra que tanto gasto e trabalho com um morto e ilustre desconhecido? Assim o peso/passado/morto seguiu, foi despachado dessa pra melhor ou pior. A estrada poderia ser seguida com ou sem o acompanhante do volante, bastava descer e seguir em frente. E desta maneira sumiria no horizonte rodoviário, o cadilac, o cadilac amarelo. Poderia ser um filme de David Lynch. Mas não, foi apenas um sonho... dela. 


domingo, 11 de abril de 2010

"Entre Idas & Cidas"

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Apare-Cida 
Parida 
Nascida 
Saída 
Crescida 
Robustecida 
Desenvolvida 
Embevecida 
Convencida 
Umedecida 
Perseguida 
Amadurecida 
Envolvida 
Comida 
Bebida 
Enlouquecida 
Traída 
Ferida 
Emagrecida 
Caída 
Comovida 
Envelhecida 
Amortecida 
Homicida 
Inseticida 
Pesticida 
Praguicida 
Emputecida 
Fodida 
Desfalecida 
Repartida 
Partida 
Abduzida 
Trazida 
Rejuvenescida 
Renascida 
Desapare-Cida

 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Adiós Pascua!"


Os coelhos ficaram fatigados nos últimos dias, mais do que nas últimas semanas, trabalharam exaustivamente, tudo em nome das vendas, ou do lucro, ou do comércio, ou dos chocolates.


Em nome de que mesmo? 
Em nome de um capitalismo feliz!


Não reclamo, sou capitalista e chocolatra assumido. Enfim, continuando a manifestação mercadológica pseudo religiosa, depois de se vender muito bacalhau na sexta-feira santa e chocolates na Páscoa, como eu já havia dito...
virá... virá...
Agora não me lembro... 
qual será a próxima fatia do mercado? 
Dia... da... do... enfim algo engolirá o coelhinho.


Adeus Páscoa!


Bye bye!


Au revoir!


Adiós!!!